“Ensaio sobre a cegueira”, que estréia nos cinemas de todo o País, conta o que acontece quando o mundo não consegue enxergar.
Dirigido por Fernando Meirelles (de “Cidade de Deus” e “O jardineiro fiel”) e baseado no livro homônimo de José Saramago – que ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1998 –, o filme teve pré-estréia em Cannes neste ano e dividiu opiniões. “Cegueira”, assim como quase toda a obra de Saramago, era considerada “infilmável” por causa do estilo do escritor, com ausência de passado e futuro dos personagens. No filme, nem nomes próprios eles têm. História
Tudo começa quando o Primeiro Homem Cego (Yusuke Iseya) perde a visão sem motivo. Com o tempo, todos os que tiveram contato com ele ficam cegos também. Entre eles está o Médico (Mark Ruffalo, de “Zodíaco”). A Mulher do Médico (Julianne Moore), por algum motivo desconhecido, é imune.
Logo, a cegueira vira uma epidemia, e os doentes vão para um sanatório, onde começam a mostrar instintos primitivos. O espanhol Gael García Bernal vive o Rei da Ala 3 do hospital. Com o tempo, A Mulher dos Óculos Escuros (Alice Braga), o Primeiro Homem Cego, a Mulher do Primeiro Homem Cego (Yoshino Kimura), a Criança (Mitchell Nye) e o Velho da Venda Preta (Danny Glover), ao lado do Médico e de sua mulher, unem-se para resgatar o que lhes resta de dignidade.
“Muita gente acha que a Mulher do Médico é muito passiva, mas, às vezes, aceitamos muita coisa”, disse a simpática atriz Julianne Moore – que já foi indicada quatro vezes ao Oscar –, no lançamento do filme no Brasil. Ela aceitou o papel na produção ao saber que seria dirigida por Meirelles. “Eu faria qualquer coisa que ele me pedisse”. Mas não foi tão obediente assim. “O Fernando só pediu que eu engordasse um pouco, mas eu achei que a personagem tinha de ser loira. Ele disse que não, mas eu apareci loira no primeiro dia”, conta a ruiva. O diretor aceitou depois de ver o resultado.
Meirelles não poupa o público de cenas pesadas, como a de um estupro coletivo que, nas exibições-teste, fez muita gente sair da sala. “Vimos que estávamos pegando pesado e suavizamos”, conta o diretor.
Polêmicas à parte, “Ensaio sobre a cegueira” não decepciona e deixa uma reflexão válida: quem, afinal, consegue enxergar nos dias de hoje?
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