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Fim de semana cheio de grandes estréias
 

No filme, Joe (Cage) é um assassino que vai à Tailândia para matar quatro inimigos de um chefe do crime local. Frio e calculista, ele tem a vida regida por três regras: ser rápido, não deixar pistas e não se envolver com ninguém. Porém, as coisas tomam um rumo inesperado quando ele conhece o jovem Kong (Shahkrit Yamnarm), que acaba se tornando seu pupilo, e a bela Fon (Charlie Young), uma moça surda e muda por quem ele se apaixona.
O filme fez a melhor bilheteria do fim de semana nos EUA, com quase US$ 8 milhões, mas crítica e público não botaram muita fé no novo thriller de Nicolas Cage. Mas, o filme é uma boa surpresa no cinema de ação de Hollywood. Não chega a ser “Efeito Dominó”, de Roger Donaldson, com o espetacular Jason Statham - o grande astro de ação da atualidade -, mas é a prova de que mesmo o cinema de aventura precisa de personagens sólidos em situações minimamente verdadeiras. Mais do que um toque de classe, os irmãos Pang imprimem um toque de sensibilidade a esse filme sobre um matador de aluguel.
É curioso que irmãos diretores estejam proliferando, e tanto no cinema de ação quanto no de autor. Os irmãos Pang são de Hong Kong, mas filmam na Tailândia. Oxide e Danny estrearam em 1999 com o thriller “Dangerous Bangcoc”, do qual, por sinal, “Perigo em Bangcoc” é justamente a refilmagem.

Zohan - O Agente Bom de Corte

No ano em que Israel completa seis décadas de existência, um grupo de humoristas de Hollywood resolveu promover a paz entre palestinos e israelenses. Como? Com uma dose de piadas escatológicas e sexuais e a presença de Mariah Carey como a musa idolatrada pelos dois lados do conflito. “Zohan - O Agente Bom de Corte” estréia no Brasil após um desempenho satisfatório nas bilheterias dos Estados Unidos - faturou US$ 100 milhões - em parte graças a uma dose de polêmica.
Adam Sandler vive Zohan Dvir, militar israelense especializado em contraterrorismo, aparentemente indestrutível. Seu único inimigo é Phantom (John Turturro), um terrorista palestino. Embora ame Israel, Zohan abandona o exército para virar cabeleireiro no subúrbio de Nova York, no salão da árabe Dália (Emmanuelle Chriqui). Além de estereotipar hábitos de ambos os lados e reforçar os sotaques, Zohan retoma o que Will Ferrell, Steve Martin e Jerry Lewis tanto fizeram nos cinemas, o de transformar o protagonista num galanteador que acredita tanto ser garanhão que no final acaba sendo.
Repleto de músicas dos anos 80 - época em que Sandler tinha uma banda no colegial - Zohan repete a parceria do ator com Rob Schneider, irreconhecível como um taxista palestino. E Mariah Carey, o que tem a ver com tudo isso? “Achávamos que ela era a artista que conseguia juntar até israelenses e palestinos”, afirmou Sandler.

Ensaio Sobre a Cegueira

Fernando Meirelles esquivou-se bem da armadilha maior que a indústria do audiovisual lhe propunha: tornar-se, na ordem global, o cineasta da miséria, dos miseráveis e de suas causas. A isca fora lançada com “O Jardineiro Fiel’’. O diretor preferiu ir a José Saramago e a “Ensaio sobre a Cegueira’’, o que lhe garantiu, em termos de produção, o prestígio de um Prêmio Nobel e a identidade com a língua portuguesa.
“Ensaio sobre a Cegueira’’ era, no entanto, desde o início, uma tacada de risco. Em primeiro lugar, por se tratar de um texto literário com muito prestígio (talvez excessivo). Trabalho nessas condições exige fidelidade ao original e busca de imagens concretas para representar idéias abstratas como as do livro. Na história, as pessoas tornam-se cegas, sem razão perceptível. Deixam de ver. As vítimas da epidemia são confinadas em condições desumanas.
No resultado, não faltam elementos dignos: atores bem dirigidos, cuidado da produção, equilíbrio entre narração subjetiva e objetiva, etc. Tendo a pensar que, com menor reverência ao texto original e maior audácia em relação ao seu meio de expressão, Meirelles teria podido ir mais longe. Temos aqui, afinal, um filme sobre a cegueira. No entanto, não se percebe nenhuma reflexão específica sobre o tema. “Ensaio’’ resulta num filme não destituído de talento. Mas, ainda assim, não mais que um “filme de arte’’.

Mamma Mia!

Numa ilha grega paradisíaca, Sophie (Amanda Seyfried), de 20 anos, vai se casar, mas não sabe quem é o seu pai. Depois de ler o diário da mãe, Donna (Meryl), uma ex-hippie, descobre que há três homens que podem ser seu pai e os convida sem contar para ninguém o porquê. Eles são Sam (o ex-007 Pierce Brosnam), um arquiteto; Bill (Stellan Skarsg¥rd, de “Fantasmas de Goya), um aventureiro descolado; e Harry (Colin Firth, de “O Diário de Bridget Jones”), um sujeito certinho e todo reprimido. Esse é o mote de “Mamma Mia!”, peça de sucesso da Broadway.
Na história, faltam dois dias para o casamento e, para passar o tempo, os personagens andam pela ilha, se encantam com a paisagem e soltam a voz, com as músicas do ABBA, como “Dancing Queen”, “Super Trouper, “Our Last Summer” e “Voulez-Vous”. E todo mundo canta o tempo todo. Como aconteceu com a segunda versão de cinema de 2005 de “Os Produtores” (a primeira foi lançada no Brasil como “Primavera para Hitler”), “Mamma Mia!” foi feita basicamente pela mesma equipe técnica da Broadway. O filme não é pensado cinematograficamente, e isso fica evidente na tela. As músicas não se encaixam na ação e os personagens parecem não entender o que estão cantando, mas sorriem e repetem seus versos afinadamente. O que atrapalha é como nada parece estar no lugar certo, inclusive os números musicais.

Falsa Loura

As aparências enganam, diz a sabedoria popular. E o cineasta Carlos Reichenbach (“Bens confiscados”, “Dois córregos”) explora a fundo essa idéia em seu novo filme, “Falsa loura”, que entra em cartaz com sessão única no Cinemark, às 15h10. Silmara (Rosanne Mulholland, de “A concepção”) é a tal loura oxigenada do título. Apesar de ser operária empenhada, sofre preconceito por parte das amigas.
Isto acontece em parte porque é muito bonita - e algumas insinuam que ela é também garota de programa - e também por parecer se colocar num patamar acima das outras. Isso fica claro numa das primeiras cenas do filme, quando a colega de trabalho Briducha quer ir com ela a um show de sua banda preferida, Bruno e seus Andrés. Mas Silmara a rejeita, dizendo que a garota é feia demais para frequentar o clube.
Essa primeira imagem de Silmara, esnobe e superior, é desmontada aos poucos. A moça trabalha para sustentar o pai, um ex-presidiário desempregado (João Bourbonnais). Além disso, ela tenta mediar as relações entre o pai e o irmão homossexual (Léo Áquila), que não se falam. E, finalmente, Silmara colabora para transformar Briducha numa garota mais elegante.
Mas o calvário da falsa loura está apenas começando. Como esse é um mundo de aparências, o conto de fadas em que a vida de Silmara se transforma é apenas uma desculpa para Reichenbach explorar as formas como a realidade bate a porta.
 

 

 

 

 
 
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