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Após cinco anos sem um CD inédito, O Rappa quebra “O Silêncio Q Precede o Esporro” com a mistura de sons de “7 vezes”, álbum lançado mês passado. Os temas sociais, característicos nas letras do grupo, ultrapassam as questões do cotidiano urbano e abordam também a conscientização ambiental, foco do “About Us Festival – Entretenimento em Favor da Sustentabilidade”, evento no qual a banda apresentará o novo show ao público manaura no próximo dia 26, na área verde do Hotel Tropical. No lançamento, o groove peculiar de “O Rappa” vem acompanhado de novas experiências sonoras, misturado com samba enredo e sons de objetos do dia-a-dia, como brinquedos e baldes d’água. “É uma experimentação, um som absolutamente orgânico, ou seja, cada nota que se ouve lá foi tocada, sem recurso a loops ou quaisquer mágicas do ProTools”, revela o vocalista Falcão, em entrevista exclusiva por e-mail ao EM TEMPO. De acordo com ele, o disco marca uma nova etapa do grupo após dois anos e meio na estrada com a turnê do “Acústico”, lançado em 2005. “Esses shows faziam um panorama de nossa carreira e todos nós estávamos muito envolvidos. Não dava para cortar, parar um ano para criar novo material e lançar um novo CD”, conta. Para “7 vezes”, o sétimo da trajetória de 16 anos, os integrantes Marcelo Falcão, Marcelo Lobato, Xandão e Lauro selecionaram 14 entre 100 músicas compostas durante a última turnê. “Tínhamos um vasto material escrito, feito de forma espontânea. A partir daí, foi processo de banda de garagem, onde todos têm liberdade para tocar o que quiserem, no instrumento que desejarem. No fim, temos uma gama de músicas distintas, o que queríamos para esse trabalho”, diz Falcão. Entre as participações estão Ricardo Vidal, responsável técnico do disco, e o guitarrista curitibano Tom Sabóia, além de percussionistas da escola de samba carioca Mangueira, conhecidos como Bernardo e Klebinho. A ‘experimentação’ sonora, iniciada em agosto do ano passado no estúdio Jimo, contou com piano de brinquedo, vibrafone, steel drums, marmita, balde d’água com garrafas, violoncelo, cravos e instrumentos indianos. “Tudo isso achou seu lugar, junto com as intervenções cada vez mais musicais do DJ Negralha, que trabalha com a gente desde o disco ‘Lado A Lado B’”, comenta Falcão. Segundo ele, entre os destaques do disco estão as faixa “Maria”, que reúne bateria de escola de samba com guitarra de trilha de western spaghetti (antigos filmes de faroeste produzidos na Itália), além das cornetas da música “Respeito pela Mais Bela”. Para ele, o novo disco é “puro Rappa”, a começar pela primeira faixa de trabalho, “Monstro Invisível”, com “dubzão – com o perdão do trocadilho – monstruoso, colorido por ecos de Jorge Ben”, enfatiza Falcão. Ele afirma que as faixas “Meu Santo Tá Cansado”, “Verdade de Feirante” e “Documento” deixam explícito o objetivo de “7 vezes”. O som é reforçado por letras que falam de esperança, beleza e espiritualidade, história na qual “os protagonistas não são heróis, nem anti-heróis – são personagens à beira da falta de moral, que não aguardam qualquer tipo de redenção”, afirma Falcão. “Estamos tratando dos mesmos problemas que fazem parte do cotidiano das pessoas. Principalmente de quem vive nos grandes centros urbanos, porém sob outros olhares, já que a situação é mais caótica e exige uma leitura mais profunda”, completa. O primeiro clipe, “Monstro invisível”, dirigido por Gustavo Mello e Luciana Bezerra, foi rodado no subúrbio do Rio de Janeiro e traz grafites de dois ônibus coletivos intitulados “Nação” e “El Ninho”. A direção de fotografia é assinada por André Lavaquial. “Não é um clipe ligado apenas a uma questão puramente estética, passa pelo conceito do clipe e pelas pessoas envolvidas no projeto”, diz.Música ambiental’ A faixa “Monstro Invisível”, primeira música de trabalho do disco, fala de catástrofes ambientais, uma das novidades da banda. No palco, eles irão enfatizar o assunto durante o “About Us Festival”. “Nossa intenção é aproveitar essa aproximação com o público mais jovem e divulgar questões emergenciais. Entretenimento aliado à conscientização”, afirma Falcão. No show eles tocarão 18 músicas, acompanhados por DJ Negralha; o baterista Cléber Senna, do projeto Afroreggae; e o tecladista Marcos Lobato. A setlist contará com oito faixas do novo álbum, intercaladas com sucessos dos discos anteriores, como “Minha alma”, “Me deixa” e “Pescador de ilusões”. O cenário, com imagens do grafitismo paulistano, foi montado e idealizado por Zé Carratu. “O projeto levou em consideração a grande quantidade de shows que a banda costuma fazer e foi desenvolvido em tecido com bordados e aplicações, fácil de desmontar e levar para qualquer lugar”, reforça Falcão.
Conceito de sustentabilidade Além de O Rappa, o “About Us Festival” irá reunir o grupo NX Zero, a cantora Vanessa da Mata e os internacionais Ben Harper and The Innocent e Criminals e Dave Matthews Band. Por meio da música, o evento propõe falar de conscientização ambiental, em especial o conceito de sustentabilidade, para reduzir as ações do impacto do homem sobre o meio ambiente. A primeira edição do festival será no dia 26, na área verde do Hotel Tropical, com abertura dos portões a partir das 17h e primeiro show previsto para as 18h. Os ingressos estão à venda por R$ 70. Área VIP custa R$ 300. Podem ser adquiridos na loja da Fábrica de Eventos, no Amazonas Shopping. Mais informações pelo telefone 3303-0100.
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