A peça, que estreou pela primeira vez em 1992, foi reescrita por Sérgio Cardoso em apenas cinco dias, quando viu a magnitude em cena de Eliezia de Barros, a Carmem. E haja magnitude! Ela dá vida e alma à personagem. Dicção e pronúncia perfeitas para o Teatro Amazonas. Eliezia é deslumbrante, mas não se deslumbra em cena e soma com seus pares. É generosa, interage com a platéia e, numa espécie de segundo ato, quando retorna ao palco ao som da ópera Carmen de Bizet, fala uma das frases mais fortes da peça: “Sou a Carmem de Michê!” Diretor de elenco
A direção e a sonoplastia corretas são de Norma Araújo, que dá o “time” certo para que o texto ganhe força necessária para motivar a platéia. Quem conhece o trabalho da diretora e a maneira de apresentar o seu programa de televisão, reconhece, em várias situações, a personalidade marcante de Norma Manazinha Araújo.
Francisco Carvalho, que já participou do grupo de teatro de Arnaldo Antunes (ex-Titãs e escritor), está atualmente em Manaus e foi chamado por Norma para ser diretor de elenco e fazer o trabalho corporal dos atores de “Carmem de la Zone”. Dever cumprido. Os atores estão perfeitos em cena. Um único “senão” de “Carmem” foi a entrada do casal da “Ritmo Quente” dançando tango. Desnecessário. Felizmente não estragou o climax do final da peça. No mais, tudo perfeito.
Muita comédia na programação de hoje
Mais um dia de disputa no 5º Festival de Teatro da Amazônia (FTA) e o tom da programação será totalmente voltado para comédia. A primeira peça a ser encenada na manhã de hoje será “A História de Tony e Clóvis”, do grupo Gato Carcará, que enfatiza para o público infantil a constante busca pela felicidade e pela realização dos sonhos.
Com texto de Carlos Augusto de Nazareth e um cenário que se modifica conforme o astral dos personagens, a montagem mostra a trajetória dos palhaços Tony e Clóvis, que fogem dos circos em que trabalham para trilhar novos caminhos artísticos. No entanto, quando eles se encontram pelas ruas da cidade, surge uma competição entre os dois, a intenção é mostrar quem é o melhor entre o ingênuo Tony e o autoritário Clóvis.
No primeiro encontro, quando eles ainda são rivais, as cores são apagadas em cena para representar tristeza, mas quando os artistas circenses começam a se entender, as roupas e a maquiagem ficam cada vez mais coloridas. É justamente o momento em que Tony e Clóvis percebem que são bons juntos e decidem firmar uma parceria para conquistar o sucesso.
Para o ator Vicente Henrique, que divide o palco com Gabriel Aquino, a estréia no festival é um desafio, uma vez que o Gato Carcará foi criado em março deste ano. A direção, produção, cenografia e iluminação da primeira peça do grupo têm a assinatura de Francisco Mendes, enquanto Cyndi Mendes assumiu a sonoplastia e Denni Sales, a edição de imagens.
Humor para adultos
Já à noite será a vez de “As Mil e Uma Noites”, do Teatro Experimental do Sesc (Tesc), que comemora 40 anos de carreira em 2008. Conforme o escritor e dramaturgo Márcio Souza, trata-se de uma “antologia de contos, que a Sherazade vai tecendo para se manter viva”.
A história se passa nos tempos da dinastia bassanida, quando reinava em Bagdá o sultão Shariar. Segundo o conto árabe, um dia, o poderoso foi caçar e teve de regressar antes do esperado e flagrou sua mulher nos braços de um escravo, o que fez com que prometesse que a partir daquele momento se casaria com uma menina virgem e mandaria executá-la ao amanhecer. O detalhe é que depois de dois anos, com a cidade de Bagdá despovoada de garotas virgens, Sherazad, filha do Grão-Vizir, decidiu se casar com o monarca assassino, pois tinha um plano para salvar o reino da ruína e livrar da morte as filhas de Alá e para sobreviver iniciou uma história sem fim para convencer o sultão. |